Escrito por Paulo Rajão

O primeiro contacto que tive com esta raça pouco conhecida no Brasil foi durante uma viagem a Budapeste. Dentre o grupo de cães que 'passeavam' com seus donos, aquele animal esbelto, atento, monocromático, chamou-me a atenção. Infelizmente não me foi possível parar por mais tempo e investigar a respeito: um compromisso de negócios me aguardava.

Mais tarde, comentando a 'visão' matinal com um companheiro de trabalho, vim a saber que se tratava de um Vizsla, raça cultuada na Hungria desde quando foi introduzido por conquistadores turcos. Acrescentou-me então que um de seus melhores amigos, presidente da Associação de Vizslas Húngaros, estaria dirigindo, em mais algumas semanas, uma competição para qual, se eu estivesse interessado, poderia obter ingresso. Não perdi a oportunidade!

Vizlas atraem multidões de interessados na Europa
Através deste contato, vim a conhecer melhor esta raça. Desde criança havia adotado o Boxer como a 'minha' raça ideal. Tempos depois, adotei o Labrador Retriever como outra raça exemplar.
Mas o Vizsla tinha uma beleza inconfundível: elegante apesar de simples, porte impecável e de uma inteligência raramente encontrada. Cativante seria um adjetivo que cabe. É uma raça que não cessa de encantar e cativar. Devotados, sensíveis, atentos e interessados em demonstrar-se amigos. Extravasam-se em afeição.

De acordo com o escriba do Rei Adalberto da Hungria (1235-1270), que reuniu e elaborou as histórias e lendas sobre as origens e aventuras do povo magiar, estes 'cowboys' medievais gostavam de caçar. Àquela época havia cães mestiços e cães pastores cuidando do gado, cães de rastro (pulik) e também vizslas. Um manuscrito interessante, escrito por frades carmelitas em 1357, foi encontrado na Crônica Vienense (Becsi Kronika). Nele relatam fatos da vida militar, econômica e cultural na Hungria, incluindo tres desenhos de cenas de caça nos quais aparecem animais que viviam na Hungria e na Transilvânia (atualmente România) muito semelhantes aos Vizslas de antes da 1a. Grande Guerra Mundial. Vista parcial de um painel gótico (Século XV) exposto no Museu Cristão em Esztergom, onde aparece um cão semelhante ao Vizsla.

O Vizsla é diferente dos outros cães de caça por sua ascendência: enquanto outros 'pointers' descendem do Braco Espanhol, o cão amarelo da Europa Oriental foi quem trouxe os genes da coloração do Vizsla . No século XIII, quando as extensas áreas de florestas desapareceram da Europa Central, a caça de tornou-se comum. Como a quantidade de animais de grande porte diminuiu junto com o desaparecimento de seu habitat natural e a migração de faisões no século seguinte, cães perdigueiros tornaram-se valiosos. A aristocracia selecionou os melhores exemplares disponíveis na terra, mas a invasão turca (1400-1554) adicionou uma identidade nova: o cão amarelo que, cruzando com os cães locais gradualmente homogeneizaram o Vizsla, franco favorito dos caçadores. Janos Gyulay escreveu em 1563 (em latim) para Kristof Batthyani: 'estamos conscientes de que Sua Alteza possui alguns falcões. Agradeceríamos muito se pudéssemos contar com um ou dois destas aves, mas um cão Vizsla, com faro e hábil na busca da caça seria ainda mais apreciado. (Sed et unum canem odoranium vulgo fyrejre valo Vizslath nobis dare velit).
A família Zay iniciou seriamente a criação de Vizlas no Século XVII e por dois séculos o Vizsla passou a ser o cão de caça mais utilizado na Hungria. Infelizmente, em função da entrada descontrolada de outras raças no reino, já no final do Século XVIII era difícil encontrar-se um puro sangue. Tibor Thuroccy, em Novembro de 1916 acionou a consciência de outros criadores com uma campanha para salvar o Vizsla Húngaro através da revista de caça Nimrod.
Em 1917 foram emitidos os primeiros pedigrees temporários, ao mesmo tempo em que se lançou uma busca nacional para encontrar-se espécimes que mais caracterizavam a raça.
Foi um esforço descomunal já que a Grande Guerra dificultava as comunicações e transporte. Mas o êxito foi alcançado quando deixaram Ficko, Honved e Rupp com nove 'beldades': Laura, Rica, Stanci, Ara, Donna Miss, Lidi, Cati e Borcsa. A raça foi revigorada e em 1920 a União Húngara de Criadores
de Vizslas foi formada com Kalmar Polgar como presidente.

A partir de então pedigrees oficiais foram emitidos. Somente em 1928, no entanto, as primeiras descrições foram aceitas como padrão e em 1935 a raça foi aprovada como o cão nacional húngaro!

O padrão que hoje vigora, adotado desde 1983, estabelece que o Vizsla é vivaz e inteligente, obediente e sensível, muito afetivo e de treinamento fácil. É criado para a caça, tanto de pena quanto de pelo, em campo aberto ou cerrado, buscando, ponteando e trazendo a presa tanto em terra quanto em água. É ainda um excelente cão de companhia e lazer.

Cão de porte médio (30 a 33 quilos) de aparência ímpar, robusto mas de ossatura leve. Com uma cabeça nobre, o crânio é moderadamente largo entre as orelhas sedosas com uma testa pouco saliente. Seu focinho é um pouco mais curto do que o crânio com coloração similar aos olhos, de cor e forma amendoada como também é toda a pelagem curta e suave.
Dentição alvíssima que se junta como tesoura contém 42 dentes: 20 no maxilar superior. Com uma altura entre (f) 53-60cm ou (m) 57-64cm nas espáduas, os cotovelos devem estar bem junto ao tórax e pernas longas o suficiente para manter o peito na mesma altura que o centro posterior. Muita angulação é considerada falta grave.

Seu caráter é adaptável ao ambiente, sendo sempre gentilíssimo com pessoas conhecidas. Reage ao desconhecido, principalmente se o surpreender. Como um caçador natural, com excelente faro e habilidades acima do comum, está sempre alerta. Destemido, embora cuidadoso com as circunstâncias, necessita pouco encorajamento para explorar o ambiente.. Nunca apresenta timidez ou nervosismo mas está constantemente em busca de conhecer mais cheiros, mais desafios e tornar-se melhor no que é esperado deles: seja lá isso o que for! Uma raça genuinamente excepcional!

 

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